RESENHA: O menino dos fantoches de Varsóvia



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O MENINO DOS FANTOCHES DE VARSÓVIA – EVA WEAVER

Mesmo diante de uma vida extremamente difícil, há esperança. E às vezes essa esperança vem na forma de um garotinho, armado com uma trupe de marionetes – um príncipe, uma menina, um bobo da corte, um crocodilo... O avô de Mika morreu no gueto de Varsóvia, e o menino herdou não apenas o seu grande casaco, mas também um tesouro cheio de segredos. Em um bolso meio escondido, ele encontra uma cabeça de papel machê, um retalho... o príncipe. E um teatro de marionetes seria uma maneira incrível de alegrar o primo que acabou de perder o pai, o menininho que está doente, os vizinhos que moram em um quartinho apertado. Logo o gueto inteiro só fala do mestre das marionetes – até chegar o dia em que Mika é parado por um oficial alemão e empurrado para uma vida obscura. Esta é uma história sobre sobrevivência. Uma jornada épica, que atravessa continentes e gerações, de Varsóvia à Sibéria, e duas vidas que se entrelaçam em meio ao caos da guerra. Porque mesmo em tempo de guerra existe esperança.





Como sempre, em se tratando de quando leio livros cujo tema principal é o holocausto, foi impossível não me emocionar, após fechar a obra e me deparar com o turbilhão de sentimentos que me arrebataram de maneira inesperada. De forma linda e encantadora, porém que não poupa em sua maioria as cenas de crueldade, Eva Weaver – uma autora alemã – conseguiu transpassar através de personagens adversos, a história de um menino judeu e sua família em meio à grande tragédia que se deu, devido à Hitler e à alienação da raça ariana.
Mika morava em Varsóvia, com sua mãe e avô, quando as primeiras aparições do ‘Fuhrer’ – vulgo, Hitler – começaram a trazer mudanças radicais para o país. Aos 12 anos, ao acompanhar o avô até o alfaiate, para pegar um casaco feito sob medida, o garoto sequer podia imaginar que sua vida, seria tão grandiosa e sofrida, dali a tão pouco tempo. As primeiras mudanças impostas por Hitler, - que em seus discursos inflamados, ditava aos alemães, que os judeus eram os responsáveis por suas doenças e tragédias – foram discretas. Os judeus não podiam entrar em parques, cafeterias e museus locais, logo também não podiam ter acesso ao transporte público e aos bancos de praça. Não demorou a proibirem que andassem nas calçadas e assim, eram obrigados a se misturar aos cavalos e carroças no meio da rua. Em seguida, os atos dos nazistas, finalmente chegaram ao extremo; os judeus não podiam frequentar escolas, trabalhar, e tinham de se identificar com uma espécie de faixa ao redor do braço, com a estrela de Davi. Socialmente, eles não eram ninguém. Mika e sua pequena família, completamente arrasados pelo desprezo de seus vizinhos e amigos, tinham a plena certeza de que aquilo era apenas o começo. E estavam certos.

"Logo depois, tivemos que nos registrar para conseguir o Kennkarten – carteiras de identidade carimbadas com um enorme J de JUDEU. E como uma simples letra era capaz de mudar tudo. Precisávamos dessas carteiras para conseguir as cadernetas de racionamento de comida, mas nossas rações eram pifas – uma fração minúscula do que era concedido à população não judia. Dois pães para o alemão, um pão para o polonês, uma fatia para o judeu.“ Pág. 26

E assim, logo foram intimados à saírem de suas casas para ir para o ‘gueto’. Ou como os alemães chamavam, ‘Distrito residencial judaico – Jüdische Wohnbezirk’ localizado mais ao norte de Varsóvia. Eram 400 mil judeus, para uma pequena área desalojada. Logo, aqueles que conseguiram encontrar uma casa vazia, tiveram sorte. Porque os demais, estavam perdidos e abandonados em calçadas, com seus filhos e parentes. O avô de Mika, logo teve a ideia de modificar seu casaco, inserindo nele muitos bolsos secretos, para que assim pudesse levar consigo todos os seus tesouros; fotos antigas e objetos que mesmo em meio ao caos, o fariam sempre se lembrar de quem era.  
Passado um certo tempo, a falta de comida e total violência acometida pelos soldados, foi fazendo com que a família de Mika ficasse cada vez mais fragilizada. Com isso, seu avô passou a secretamente criar fantoches, em um quarto fechado, como meio de fugir do horror que se via nas ruas, diariamente, enquanto o povo judaico, era totalmente esquecido pelo resto do mundo.

“Uma coisa no canto da oficina atraiu minha atenção, arrancando-me de meus devaneios. Numa mesa havia um pedaço de veludo vermelho cuidadosamente cortado em dois pedaços, o mesmo tecido do qual o esplendido manto do príncipe fora feito. Um pequeno vestido, com a linha e a agulha ainda presas a ele – como se Vovô fosse retornar a qualquer minuto, pegar a agulha e concluir o trabalho.” Pág. 46

Passado um tempo, após a sofrível e heroica morte de seu avô, Mika ao descobrir este mundo totalmente novo e ainda, com resquícios de alegria, passa a se empenhar cada vez mais. Construindo fantoches coloridos e repletos de personalidade, à espera de que aquele cenário cinza e repleto de dor e angustia que se via lá fora, milagrosamente mudasse.
Quando sua casa, passa a abrigar mais pessoas – como o número de judeus que eram jogados no gueto, só aumentava a cada dia – e entre elas Ellie, a prima por qual sempre sentira certa cumplicidade e amizade, Mika percebe que com seus fantoches pode animar e talvez até trazer esperanças ao coração já despedaçado e enegrecido, dos judeus.
Então suas apresentações passam a encher de sorrisos, crianças, adultos e até mesmo os mais velhos, alcançando todos os extremos do gueto. Mika passa então, a ser conhecido como ‘O menino dos fantoches’ ou também como ‘O menino dos bolsos’ – já que era no casaco repleto de bolsos secretos do avô, que ele guardava o príncipe, a princesa, o crocodilo, o macaco e o vilão. Seus primeiros fantoches.
Está sem dúvida, foi uma das melhores leituras do ano. Em meio ao terrível cenário da guerra, uma linda história conseguiu se desenvolver, e tocar meu coração. Mika, é um guerreiro e toda a sua passagem durante o livro, me fez pensar no quão sofrível para os judeus, deve ter sido a influência de Hitler, sobre os alemães. Eva Weaver, criou personagens e situações muito realistas, e que perfeitamente nos remetem ao passado, de uma forma muito especial. Ela nos conta os dois lados da história. O do judeu submisso e o do soldado.
Sua narrativa é profunda, descritiva e ao mesmo tempo leve, e o trabalho gráfico da obra realmente tem tudo a ver com a história. Eu me emocionei durante muitos momentos, porém, positivamente, ‘O menino dos fantoches de Varsóvia’ conseguiu arrasar meu coração. Recomendadíssimo!

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1 comentários:

  1. Oii Kate !

    Faz algum tempo que to interessada nesse livro .. O único problema é que me envolvo demais com histórias que envolvem crianças, e essa que se passam no meio da guerra sempre destroem o meu coração. Bem diferente o lance das marionetes, é algo que eu gosto bastante! Fiquei encantada com essa capa, e espero gostar também do conteúdo :D
    Beijos ;*

    "Promo de natal"

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