[RESENHA] Os Três - Sarah Lotz


Bom dia galera, tudo bem com vocês? Hoje é dia de resenha aqui no Drunk e antes de mais nada gostaria de pedir que vocês acompanhassem a mesma até o fim. É sobre um dos melhores livros que já li na vida e quero que vocês entendam exatamente o porquê. Mais tarde estamos de volta!

OS TRÊS – SARAH LOTZ

Quinta-Feira Negra. O dia que nunca será esquecido. O dia em que quatro aviões caem, quase no mesmo instante, em quatro pontos diferentes do mundo. Há apenas quatro sobreviventes. Três são crianças. Elas emergem dos destroços aparentemente ilesas, mas sofreram uma transformação. A quarta pessoa é Pamela May Donald, que só vive tempo suficiente para deixar um alerta em seu celular: Eles estão aqui. O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas... Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. Pastor Len, avise a eles que o menino, não é para ele... Essa mensagem irá mudar completamente o mundo. 






Prendam o ar, pois estou prestes a começar a resenha mais difícil que já fiz e de um dos livros mais fantásticos que já li na vida, que conseguiu ultrapassar todas as minhas expectativas e mereceu medalha de melhor leitura de 2014. E olha, que o ano nem acabou ainda! Pois é, ‘Os Três’ é uma obra única. Sarah Lotz conta a história sob o ponto de vista jornalístico de Elspeth Martins, criando um livro dentro de outro livro, uma amarra incrível de fontes divergentes, que nos fazem realmente acreditar em sua veracidade. Um suspense que de tão bem escrito, me fez mergulhar na leitura, logo de primeira.
A quinta feira – negra que ficou conhecida por conta dos quatro acidentes de avião, quase que ao mesmo tempo, em diferentes cantos do mundo e que impactou à todos não pela quantidade de mortos mas pela sobrevivência totalmente ilógica de três crianças, é o acontecimento mais comentado de todos os tempos. O mundo parou em meio ao caos dos acidentes e diversas especulações à respeito da sobrevivência dos ‘três’ começam a surgir; para alguns, estas crianças foram possuídas pelos espíritos dos mortos, para outras são ETs enviados para a destruição do planeta e para outros, os religiosos, são três dos quatro cavaleiros do Apocalipse, que ilustram a chegada do fim do mundo.
‘Os três‘ é narrado sob diversos pontos de vista, fontes de jornais, posts em blogs, conversas em chats e fórums e gravações que de certa forma, nos apresentam dados relevantes e dos mais variados tipos à respeito dos acidentes.

“O som da televisão estava no máximo e uma apresentadora – um daqueles horrores americanos cheios de Botox, dentes artificiais e maquiagem demais – falava sem parar. Atrás dela havia a imagem do que parecia uma espécie de pântano com um helicóptero pairando acima. Li a legenda: ‘Acidente com o avião da Maiden Airlines nos Everglades.’ Eles erraram, pensei. Stephen e as meninas estavam viajando pela Go!Go!, e não nesse avião. E então entendi: outro avião tinha caído.”
Página 24

As crianças; Hiro, Jess e Bobby – vulgo ‘os três’ – passam a ter comportamentos esquisitos após o acidente, o que levanta ainda mais a suspeita de seus parentes, sobre uma provável possessão. Há o relato cuidadoso e ao mesmo tempo preocupado de Paul Craddokk – o tio de Jess – Lilian Small – a avó de Bobby – e Chiyoko – a prima de Hiro, sobre a mudança de comportamento sofrida pelos pequenos e os acontecimentos cada vez mais esquisitos à sua volta. Lilian vê a milagrosa recuperação de seu marido Reuben – portador de Alzheimer – acontecer de um dia para o outro. Paul, o tio gay de Jess e também ator, vê a sua vida cercada por paparazzi e num primeiro momento, se sente feliz por isso. Chiyoko, a garota solitária que não saia do quarto, encontra em HIro um motivo para viver. Então de alguma forma, os três acabam dando aos seus parentes, o que eles queriam. No entanto, é quando se tornam o alvo da mídia, dos fanáticos religiosos e apaixonados por OVNIS, que eles percebem estar em um verdadeiro inferno.

"Ele fez a coisa dentro do carro, na costa oeste, onde costumava ir pescar. Asfixia, mangueira ligada no cano de descarga. Sem sujeira, sem confusão. Sinto falta dele.” Página 29

Não teria como contar mais à vocês, sem estragar o sentimento de encanto, que vocês provavelmente irão sentir ao ler o livro. Não é o tipo de encanto, que se sente ao ler um romance. É o tipo de encanto que se sente ao se deparar com algo tão bem escrito. Em diversos momentos durante a leitura, eu parava e me perguntava em voz alta ‘como é que essa mulher conseguiu escrever isso?’. Isto porque, é incrível demais! Chega a ser surreal e eu não estou exagerando. Ao escrever sob diversos pontos de vista diferentes, Sarah Lotz, conseguiu nos passar uma essência totalmente única à respeito de cada personagem. Era como se de fato eles existissem e a ‘quinta-feira negra’ tivesse acontecido.
Sarah, conseguiu amarrar todos os fatos e nos presenteou com um final totalmente ‘COMO ASSIM?’. Isto porque, a pergunta mais importante de todas, não é respondida no final do livro. Talvez tenha sido por isto que eu fiquei com total sensação de ‘preciso da continuação disso’. É quase como o livro ‘Uma aflição imperial’ que Hazel lê em A culpa é das estrelas e que termina deixando diversas dúvidas à respeito, mas que não deixa de ser maravilhoso. Não se assustem, não tem nada a ver com câncer, foi apenas uma forma de exemplificar.
O trabalho gráfico feito pela Arqueiro, como por exemplo, a estética do livro foi caprichosamente esplêndido! As laterais do livro são tingidas de preto e a capa é um deleite por si só. Parabéns pelo sucesso! A conclusão que se tira, é que eu mais que recomendo este livro. Sugiro que você vá agora mesmo para a livraria mais próxima de você, adquira o seu exemplar e depois venha dividir comigo nos comentários, a emoção que sentiu ao ler algo tão puramente maravilhoso.

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